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Som ao Vivo

30 Seconds to Mars no Pavilhão Atlântico
16 de Dezembro



As bancadas estariam certamente esgotadas, ou pelo menos perto disso. A plateia estava composta, na sua maioria por um público bem jovem que não teme receber de braços abertos os 30 Seconds to Mars. Já o tinham feito, esgotando o Coliseu, assim como o Pavilhão Atlântico, em dois concertos que certamente perduram na memória dos fãs de Jared Leto.

Texto de Tiago Queirós

Números à parte,  a noite começou com os portugueses More Than a Thousand,  que aos poucos se conseguem afirmar. O aquecimento serviu para marcar o ponto, não por culpa da banda, mas sim pelo público que ansiava pelos norte-americanos que voltavam com o pretexto de apresentar os seus êxitos mais recentes.

A ideia que fica no ar ao final do espectáculo é que se trata de mais uma banda montada e formatada para um sucesso a curto prazo , onde o único destaque irá para o baterista (Shannon Leto, irmão de Jared) que fez barulho suficiente para garantir que não estávamos num concerto pop , mas sim de rock. Arriscou a pressão do instrumental «L490» desculpando a ausência de solos. Nada de muito técnico, pelo contrário, mas que disfarçou pela simplicidade.

Quando se vê no frontman um ídolo, à partida , só a sua presença faz ganhar a noite. Foi isso mesmo que se verificou e que demonstrou uma certo conforto e , arrisco-me a dizer , conformismo por parte de Jared, que fez uso do saudosismo, merecido mas exagerado ,frente ao seu público. Para trás ficaram as notas prolongadas e metade de grande parte dos temas, aos quais deixou a multidão funcionar em coro. Algo sempre bonito de se ver ,mas em quantidades um pouco mais reduzidas – ninguém pagou para ver a rapariga do lado desafinar!

Entre as várias referências ao nosso país, Jared compõe a bandeira nacional aos ombros, num movimento que já vem sendo praxe em todo o tipo de concertos. Desde Green Day que não se via um performer tão competente. Conseguiu o extremo de meter a multidão a tentar tocar no tecto a ficar sentada no chão (prestes a saltar mais uma vez), num momento que certamente envergonhará os fãs de Slipknot que criaram aquilo a que chamam de «mito». Mas ao contrário dos outrora punks, o vocalista peca pela falta de competência como músico, passeando a guitarra mais para a fotografia do que propriamente pela necessidade da mesma.

A pergunta será: foi um mau concerto? Certamente que a maioria presente no Pavilhão dirá o contrário com o desfile de êxitos radiofónicos e que marcam o air-play da MTV tempo suficiente para garantirem que todos estejam familiarizados com os temas. Não foi de facto, e muito se deve ao público participativo e radiante que horas antes já se mostrava visível pelos lados do C.C. Vasco da Gama .

A veia de actor veio também ao de cima, convidando o público a participar no momento que certamente deixará eterno, pelo mundo do youtube, a sua segunda passagem pelo recinto lisboeta. Na memória ficará o espetáculo de bolas vermelhas ,lançadas de forma surpreendente sobre o público, mas igualmente ficarão momentos como a madrugadora «Beautiful Lie», a recente «Closer to the Edge» assim como a versão acustica de «From Yesterday».

Pelo meio, a banda demonstrou que This is War é um álbum que não foge ao registo que tanto encanta os fãs, e que comprova que a sua formula não está gasta. Num momento de descontração cantarolou-se «Bad Romance» da mais recente diva da Pop, Lady Gaga, que curiosamente passou pelo mesmo recinto dias antes.

The Kill» registou o último grande coro antes de encore. A letra, tal como se verificou ao longo da performance, estava bem memorizada de inicio ao fim, e não falo de crianças. Falo de pais que certamente aderiram, possivelmente, às sugestões dos mais novos. Na multidão podia-se encontrar caras conhecidas e bastante entusiastas que outros fossem os tempos, estariam a apresentar o jornal da noite no dia seguinte. Sim, o concerto foi a uma quinta-feira.

            «Hurricane» marca a despedida da banda que se despediu do velho continente preparando-se já para uma passagem de ano de arromba em Las Vegas. Não podiam arrancar sem fazerem a vontade aos tais 18 mil que lá passaram: «Kings and Queens» é sem dúvida alguma um sucesso estrondoso e o impacto que este demonstrou diz tudo.. Um espetáculo cheio de distrações suficientes para dizimar muitas das possíveis críticas,  deixando um resultado geral positivo.

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