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Deftones @ Campo Pequeno, 9 de Dezembro 2010

Há muito que é certo e sabido que os Deftones criaram um público fiel no nosso país. Essa fidelidade é visível a cada passo que dão na sua carreira, que apesar de juvenil já não se pode afirmar jovem.

Texto de Tiago Queirós

Foi perante uma plateia bem composta, mas não esgotada, que se apresentaram na arena do Campo Pequeno. Fazendo juz à tradição daquele espaço, foi vísivel a «tourada» manifestada ao longo do concerto : Mosh-pits, crowd surfing e outros  estrangeirismos fizeram largar muito suor durante os vinte e cinco temas que a banda de White Pony trouxe na bagagem.

Como seria de esperar, «Rocket Skate» abriu as hostes como se de um teste se tratasse. Na plateia, assim como na bancada, o público passou com distinção demonstrando que Diamond Eyes já faz parte da sua discografia. “Guns! Razors! Knifes!» marcava o primeiro coro da noite que advinhava-se já ganha à partida.

Possivelmente não será dos melhores temas de abertura, e isso verifica-se comparando com a ultima passagem de Chino Moreno pelo festival Optimus Alive onde abriram com «Headup» em que muitos ficaram sem voz,  tentando atingir o nível de Max Cavalera ( Sepultura; Soulfly, Nailbomb; Cavalera Conspirancy), que deu o seu contríbuto no tema. Pedia-se talvez algo mais rápido e não tão entregue ao down-tempo dos riffs pesados que compõem a música.

A sequência seguinte deliciou qualquer fã: sete clássicos foram entregues de bandeja sem exitar falhar na táctica. Uma «Around the Fur» tão madrugadora surpreendeu muita gente que não soube bem como reagir. Sentia-se um ambiente de pré-tempestade.

Se havia algum tipo de timídez, esta foi descaradamente perdida aos primeiros acordes de «My Own Summer ( Shove It)» que será sem dúvida um dos temas mais carismáticos da sua carreira. «Be Quiet and Drive (Far Away» , ironicamente barulhosa, será lembrada pela entrega que o vocalista demonstra perante o seu público tentando constantemente senti-lo, de forma literal,  criando o caos nas proximidades da grade. Algo que se repetiu várias vezes durante o concerto e que já vai sendo imagem de marca de Chino Moreno.

Relembrando que White Pony (um dos álbuns mais marcantes da geração Nu-Metal) já tem uma década de existência, «Elite» que vencera um Emmy, «Knife Party», «Korea» e «Digital Bath» fazem muita gente voltar aos seus tempos de adolescente, onde os bonés para trás e as calças largas faziam parte do vestuário de dia-a-dia.

Ao contrário de bandas como Linkin Park e Papa Roach não se sente qualquer tipo de vergonha pelo passado nem do presente musical da banda. Esta soube crescer de forma saudável e sempre fiel, sem nunca temer a liberdade criativa. Hoje Deftones têm uma sonoridade própria e ninguém o pode negar.  O nome que entitula o mais recente trabalho da banda demonstra isso mesmo: não são uma banda de moda. São uma banda de seguimento e de evolução, e a entrega que demonstram em palco prova  o orgulho na música que tocam. A verdade é que isso se transmite para as pessoas.

«Risk» fora dedicada mais uma vez a Chi Cheng, o baixista original da banda, que se encontra em estado de coma num infeliz acidente de carro em Novembro de 2008.

Stephen Carpenter, guitarrista da banda, juntou-se a Sergio Vega (actual baixista) e ambos de baixo na mão deixaram o mítico vocalista brilhar como o único guitarrista em palco,  dando todo um novo impacto e intensidade ao tema «Xerces» que fora o único de Saturday Night Wrist a constar da setlist. A verdade é que este fora sem dúvida o álbum menos sucedido da banda até ao momento  o que certamente não terá entristecido muita gente.

«Prince» seguido dos dois singles mais recentes, «You've Seen the Butcher» e «Sextape»  apresentaram aos mais distraídos o porquê deste novo álbum marcar o retorno em grande da banda. Era visível o nº de telemóveis a gravar este ultimo que  sem dúvida representa o  momento mais sentido e intimista da banda.

A quebra de ritmo, dos clássicos para as novidades e temas mais calmos, originou muitos pedidos vindos da plateia. O descanso soube bem, mas o público queria mais e a banda brindou-os com «Blood Cape» e «Minerva» do álbum homónimo de 2003. Apesar de não ser dos temas mais enérgicos, estes foram fortemente aplaudidos pela familiaridade e por uma certa nostalgia.

«Passenger» trouxe Tool de volta ao nosso imaginário e a díficil «Change (Into the House of Flies)» demonstrou  que a voz de Chino está melhor do que nunca. Sem saudosismos, é notável a melhoria de concerto para concerto , fazendo esquecer a prestação duvidosa em 2006 no festival Super Bock Super Rock.

«Back to School» não será de todo dos temas que a banda gostará mais,  visto que é resultado de uma certa pressão editorial sobre o tema «Pink Maggit», não fazendo parte do alinhamento original do álbum em que se insere (White Pony). No entanto é dos temas mais aplaudidos da noite e deixado para o fim como trunfo esmagador. “Tenho 14 anos de novo” ouvia-se entre saltos e empurrões. Certamente um dos momentos mais esperados da noite e sem dúvida alguma que não desiludiu. Nunca aquela arena teve tantos MC's.

Encores assim vale a pena. Ao contrário do que normalmente acontece, o sr. Carpenter não saiu de palco presenteando a sua assistência com um interludio algo psicadélico antecedendo uma recta final esmagadora , com base no primeiro álbum da banda – Adrenaline.

«Birthmark» teve direito a um Circle Pit de dimensões assinaláveis , dando a entender que ninguém queria sair dali sem exercitar as pernas. A energia formada nos ultimos temas seria comparável a uma central nuclear. «Root» e «Engine nº9» foram esmagadoras e provaram que apesar do passar dos anos , o impacto continua o mesmo.

A muito esperada «7 Words» é já um clássico de fecho. Este primeiro single da banda simulou o apocalipse e abalou os alicerces do Campo Pequeno. Que atire a primeira pedra quem não deu um único salto. Simplesmente impossível e sem dúvida um teste de resistência.

Muitos apontam este como o melhor concerto da banda nos ultimos anos no nosso país, e se o Tivoli criou algo de especial (dado o nº de pessoas permitido) e o Alive a megalómania, este concerto ficará na memória pela boa forma da banda. Não desiludiu de todo.

Mais tarde alguns fãs, que se mantiveram na traseira do Campo Pequeno, tiveram oportunidade de saudar a banda , que demonstrou a sua simpatia e proximidade ao público, deixando para trás autógrafos e fotografias , certamente guardadas por muitos para um dia mais tarde mostrarem aos netos.

Setlist:

Rocket Skate
Around the Fur
My Own Summer (Shove It)
Be Quiet and Drive (Far Away)
Elite
Knife Party
Korea
Digital Bath
CMND/CNTRL
Risk
Beauty School
Xerces
Prince
You've Seen the Butcher
Sextape
Bloody Cape
Minerva
Passenger
Change (Into the House of Flies)
Back to School

Encore:
Birthmark
Root
Engine nº9
7 Words

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