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Modo Classic Rock

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Música de intervenção, sátira social e uma espécie de último legado, tudo reunido numa irónica “oração” cantada pela voz imortal de Janis Joplin: “Senhor, não me compras um Mercedes Benz?( …)”

Texto de Maria Coutinho 




Não é fácil cantar sem música de fundo ou de acompanhamento;  mais difícil ainda é soar bem à primeira. Mas foi isto mesmo que a diva do rock dos anos 60 fez com “Mercedes Benz”: pegou nas palavras de Michael McLure e, com uma única sessão de gravação (um só take), deixou-nos aquele que viria a tornar-se no seu êxito mais conhecido. 

Poeta, ensaísta e autor de peças para teatro, McLure merece aqui uma nota especial, já que é um nome importante na cultura da época. É um dos mais importantes poetas da geração Beat, na companhia de outros grandes como Allen Ginsberg e Jack kerouac. Mais tarde transita para o movimento contra-cultural Hippie que deu cor e uma nova luz aos anos 60 e 70, chegando a ser conhecido como o “príncipe da cena de S Francisco”, esse “tubo de ensaio” urbano onde fermentavam as ideias revolucionárias da geração das flores no cabelo e ideais de paz e fraternidade no coração.

Mc Lure é um grande apologista da consciência natural do animal-Homem, e Mercedes Benz uma crítica inequívoca ao Homem-materialista do século XX. Janis partilhava deste ponto de vista. Ouvimo-la dizer expressamente no inicio da gravação: “Gostaria de fazer uma canção de grande teor social e político”. Está tudo lá, basta ouvir as palavras que compõem a letra – a ideia subjacente é a de que demasiadas pessoas apenas vêem a sua felicidade nos bens materiais que conseguem obter: um Mercedes Benz,  uma tv a cores (hoje teria escrito “um plasma”), uma noitada na cidade…



Não deixa de ser irónico que a famosa marca de automóveis tenha usado esta música para promover as suas vendas, numa infame inversão dos princípios que inspiraram o poema…

Joplin não teria tempo para ver orquestrar a canção que gravou juntamente com uma mensagem de feliz aniversário para John Lennon nesse dia 1 de Outubro de 1970. Passados três dias, vítima do seu próprio estilo de vida, e como muitos dos maiores da sua geração,  a cantora tomaria a última dose de heroína, a dose fatal…

Quando Lennon ouviu os parabéns que a amiga lhe gravara, esta já o esperava naquele cantinho da Eternidade onde estão os mais sensíveis, para quem a vida é pesada demais para ser vivida sem Amor e poesia. Viria a juntar-se a ela em 1980, a 8 de Dezembro, data que o  Modo Classic Rock celebra com tristeza neste trigésimo aniversário.

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