Avançar para o conteúdo principal

Linda Martini:Parte III

Linda Martini com “Casa Ocupada”




Com “Casa Ocupada” os Linda Martini regressam às origens,  onde, por coincidência (ou não) e embora querendo evitar qualquer comparação mais previsível com os “Sonic Youth” ou com os “Minor Threat”, nos presenteiam com uma “Juventude Sónica” e com uma “Ameaça Menor” (traduções literais dos nome daquelas bandas internacionais).

Texto de Paula Cavaco

Isto é o que nos salta mais à vista na primeira leitura da tracklist mas o novo álbum vai muito além destas duas notórias influências. Efectivamente, é quando se coloca o CD a “rolar” que se descobre (e bastam os primeiros 15 segundos da faixa “Mulher-A-Dias”, o primeiro tema do novo álbum), em que tipo de “viagem” sonora se está a embarcar!


 “Casa Ocupada” (título que roubaram de “uma casa de ‘ocupas’ que existia em Lisboa e onde se faziam vários concertos de hardcore”), constitui um longo trabalho de dois anos, que resulta, mais uma vez, em temas onde prevalecem as guitarras e a distorção. De destacar também os dois instrumentais “Elevador” e “S de Jessica”.

Com menos uma guitarra, com a saída de Sérgio Lemos, cresce a presença do vocalista (e guitarrista) André Henriques, em relação aos trabalhos anteriores. As letras voltam a ser compostas por frases breves, curtas e incisivas, algumas a várias vozes. Em termos de sonoridade, “Casa Ocupada” remete-nos para os primeiros tempos da vida dos Linda Martini mas com um som amadurecido.

O novo álbum é assim “um voltar atrás”, um retroceder ao passado, às experiências vivenciadas pelos membros dos Linda Martini na “Casa Ocupada” da Praça de Espanha, onde o espaço era preenchido unicamente pela sua música.

Os temas “Ameaça menor” e “Belarmino” (em referência ao documentário homónimo de Fernando Lopes sobre o pugilista português Belarmino Fragoso) foram os primeiros a surgir e deram o mote para o disco, que acaba por ser menos intimista que, por exemplo, “Marsupial”. Depois seguiu o terceiro single “Mulher-a-dias”.

Em termos de aceitação por parte do grande público, quatro semanas bastaram para que este novo trabalho tomasse de “assalto” o top de vendas e da mesma forma como, em 2006, fosse aclamado como “Disco Português 2010” pela revista Blitz.

Quanto a expectativas sobre o futuro, os membros dos Linda Martini são peremptórios em afirmar que esperam lançar o disco após o próximo Verão, fazer concertos, uns vídeos, umas entrevistas, umas viagens de carrinha ao fim de semana e ocupar a cabeça com coisas boas. Ou seja, continuar a serem eles próprios na sua melhor vivência do espírito punk!

Abrindo apetites:

Comentários

Belo texto. Só faltou dizer: "Adeus tristeza" temos um disco novo dos Linda Martini!

Mensagens populares deste blogue

Slimmy

Não faço as coisas para chocar”
Chama-se “Be someone else” o novo álbum de Slimmy. O músico garante que está mais maduro , mas que persegue com o trabalho a que estamos habituados. “Não faço as coisas para chocar”, avisa em entrevista ao jornal Metro.
Slimmy apareceu há dois anos no panorama musical português ,mas já deixou marcas, não só a nível musical (a sua música chegou a series de televisão como o CSI), mas também pela indumentária. Agora temos  “Be someone else” para continuar a história. 
O álbum “reflecte o amadurecimento, uma maior estabilidade a nível mental. Embora mantenha a minha irreverência”, explicou o músico ao jornal Metro. Slimmy garante, contudo, que o que importa é “fazer músicas que as pesssoas possam cantar e letras que as pessoas possam entender. Não faço as coisas para chocar”, garante.
As músicas reflectem experiências do dia a dia de Slimmy. “Há uma balada , “I can´t live without you in this town”, que é dedicada a uma rapariga do Texas que conheci em 2004,…

Go Graal Blues Band no "Luso Vintage"

Hoje em dia fazer música na língua de Shakespeare é tarefa fácil, mas o mesmo não acontecia em 1975, quando Portugal enquanto democracia acabava de nascer, quando ainda vigoravam valores nacionais como os três grandes F’s (Fado, Fútebol, Fátima).

Texto de Patrícia Rodrigues
Foi neste cenário marcado pelo obscurantismo cultural e desconfiança do estranho que surgiram os “Go Graal Blues Band”. O grupo marcou pela musicalidade contagiante e uma alegria e optimismo próprios da cultura americana, que se definia cada vez mais como um estilo próprio de vida.
E foi assim que, após um nascimento atribulado, um grupo de rapazes na casa dos vinte decidiu reunir-se para tocar e cantar Blues, sendo eles: Paulo Gonzo (voz e harmónica), João Allain (guitarra solo), Raúl Barrigas dos Anjos (bateria), Augusto Mayer (harmónica), António Ferro (baixo), João Esteves (guitarra) e José Carlos Cordeiro (voz principal).
Apesar do curto percurso de oito anos e várias mudanças no seu line-up, a banda…

Freddy Krueger

Pesadelo em Elm Street regressa aos cinemas
Nos anos 80, o imaginário de muitos adolescentes era atormentado por um homem que lhes  aparecia nos sonhos  e se tornava o maior pesadelo mortal de sempre. Chamava-se Freddy Krueger. Em 2010 está de volta para nos tirar o sono. E não é fruto da nossa imaginação.



A personagem criada por Wes Craven (que não aprovou este regresso), volta ao cinema neste remake do primeiro filme da saga, de 1984.  
Mais uma vez a história repete-se. Pesadelo em Elm Street acompanha os adolescentes Nancy, Kris, Quentin, Jesse e Dean, que vivem em Elm Street.
Durante a noite, todos têm tido o mesmo sonho sobre um homem com uma camisola vermelha e verde, um chapéu velho, uma cara desfigurada e uma luva com lâminas. No sonho ouvem uma assustadora voz, que chama por eles.
Depois da morte do primeiro adolescente percebem que o que acontece nestes pesadelos acontece na vida real. Por isso vão fazer todos os esforços para não adormecer e tentar descobrir por que fazem par…