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Espaço "The Indies": Um Arraial, Duas Gerações, Três Bandas!

 Diabo na Cruz

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Texto de Bruno Vieira

Há cerca de dois meses assisti à 16ª Edição do Arraial do Caloiro do Técnico. O cartaz era prometedor com as actuações previstas de Os Pontos Negros, Blind Zero e Diabo na Cruz. O preço do bilhete também era convidativo, 11€. 

O palco montado dentro do recinto do Instituto Superior Técnico estava de costas para a Alameda, sendo um espaço privilegiado para um evento desta natureza. O cenário era semelhante ao de qualquer festival de Verão, em versão reduzida, com as mini-roulotes de imperial em número considerável dispostas lateralmente e de forma estratégica a envolverem o público. 

O espaço para os WC também estava bem organizado, como convém, dado prever-se ser muito concorrido com o avançar da noite. O público maioritariamente na faixa etária dos 18/25 anos (com algumas excepções) foi timidamente aparecendo, se por volta das 21h o recinto ainda tinha um aspecto desolador, aquando da actuação de Os Pontos Negros já estava mais composto. Quando Jorge Cruz subiu ao palco o recinto estava praticamente lotado. 

Mas vamos ao que interessa, ou seja, falar do que se passou nessa noite e da relação entre público e bandas. Sendo à partida um cartaz interessante, já que tínhamos uma banda muito respeitada do rock nacional dos Anos 90 e que ainda hoje dá cartas (os Blind Zero) embora longe dos seus tempos áureos, mais duas bandas do novo rock português: Os Pontos Negros e Diabo na Cruz.

Os Pontos Negros trabalham numa linha indie ao estilo The Strokes que lhes tem garantido um relativo sucesso, já o projecto de Jorge Cruz (que conta com a colaboração de B-Fachada) a apostar numa fusão de rock pujante (sem ser pesado) com sons tradicionais portugueses, quer a nível instrumental,  quer vocal. 

Depois da curta actuação da TUIST (a Tuna do Técnico) pontuada por algumas piadas secas mas que naquele contexto acabaram por soar às melhores anedotas do mundo, subiram ao palco Os Pontos Negros.
A banda de Queluz cumpriu e apesar de no início haver algum espaço entre o público, no final do concerto já o ambiente estava bem mais animado. 

Não sendo propriamente inovadores , mas em linha com a cena indie, apercebi-me que a malta nova conhece as principais músicas da banda, mas não muito mais, o que está de acordo com a popularidade da mesma. 

O crescendo de entusiasmo ao longo da actuação de Os Pontos Negros de certa forma quebrou com o concerto dos Blind Zero. O facto da banda de Miguel Guedes ser uma das mais prestigiadas bandas nacionais dos Anos 90, não garante muita popularidade entre a geração actual dos 18/25 anos. 

A malta nova parecia de certa forma indiferente à actuação da banda do Porto, com excepção para um ou outro clássico e para o último single Snow Girl. O próprio Miguel Guedes apercebendo-se disso, no final da sua actuação e de forma respeitosa ao despedir-se do público cumprimentou as outras bandas presentes, afirmando qualquer coisa do género: “provavelmente Os Pontos Negros e Diabo na Cruz irão proporcionar-vos uma noite mais animada com riffs de guitarra”. 

Foram estas palavras que me levaram a escrever esta crónica dado serem bastante elucidativas dos tempos actuais e do tipo de rock que se tem vindo a praticar nos últimos anos, mas também a consciência do que se foi, do que se é, e de onde se está. 

Miguel Guedes sabe perfeitamente o lugar que ocupa na música portuguesa e o facto de reconhecer, sem nostalgia ou saudosismo, que os tempos são outros, em nada belisca o seu talento enquanto músico.
Finalmente temos os Diabo na Cruz, last but not least da noite. 

Aquando da subida de Jorge Cruz e comparsas ao palco, já uma pequena multidão se lhes apresentava à frente. Era preciso animar a malta e os Diabo na Cruz fizeram-no na perfeição. Foram a banda ideal para um final de noite perfeito que incendiou quase todos os presentes na praça da entrada principal do Técnico.

 A noite já ia longa e com muita cerveja à mistura não foi difícil levar o público ao rubro. Mas não se pode dizer que foi apenas mérito da cerveja. Jorge Cruz foi hábil nas palavras e soube muito bem como contagiar o público. Os Diabo na Cruz fazem um som pujante que funciona muito bem ao vivo. 

Se pensarmos na fusão da música tradicional portuguesa com a música moderna de que Variações foi mestre no seu tempo, mas agora em versão rock mais desgarrado, então temos os Diabo na Cruz. A noite foi deles. Um sinal dos tempos…



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