Avançar para o conteúdo principal

Crítica Musical -Parte I

Álbum «10.000 anos depois entre Vénus e Marte» 





 Link da imagem


O Quarteto 1111 fora baptizado, por muitos, como os Beatles portugueses. Anos mais tarde José Cid, já a solo,  provara ser um autêntico “José Waters” naquele que viria a ser um álbum histórico a nível nacional , constando nas mais conceituadas listagens internacionais – «10.000 anos depois entre Vénus e Marte».

Texto de Tiago Queirós

O público vê nas suas estrelas deuses mitológicos que automaticamente têm acesso a todo o tipo de luxos e regalias que o comum mortal não terá. Por esta ordem de ideias, a liberdade criativa do músico não deve ceder a nada que o rodeie. Isto é completamente errado, e José Cid prova isso mesmo com o ditar da sua carreira , agora voltada para um registo popular, indicada a um público passageiro ou menos direccionado.

Com os Quarteto 1111 uma nova cultura pop rock, repleta de influências na Beatlemania e na cena musical Inglesa, Cid ganhou notoriedade no público português e muito se deve ao desaparecido Rei   D. Sebastião e à lenda que dita tal tragédia. O nível internacional do Quarteto levou-os a cabeças de cartaz daquele que seria o primeiro festival de verão nacional, Vilar de Mouros, também conhecido como o Woodstock português. Não era de todo um desconhecido, mas queria mais.

As origens


Com o sucesso de «Dark Side of The Moon (1973)» e de bandas como os Genesis, Yes e Camel ( que certamente terá a sua cota de influência) abriu-se uma oportunidade aos olhos de Cid de tentar algo mais progressivo.

Em 1978, e a muito custo, o álbum «10.000 anos depois entre Vénus e Marte» é editado pela Orfeu , que muitos entraves colocou sobre a produção do mesmo e posteriormente pela sua distribuição. A verdade é que ainda hoje este não é um álbum apelativo a multidões e a sua produção alcançou custos acima da média. Preço que poucos estariam dispostos a pagar por pormenores deliciosos, que marcaram os anos 70,  como é o caso do uso do Mellotron, de todo um conjunto de sintetizadores e de um artwork de uma impressão acima da média.

Tudo começa um ano antes com o lançamento do EP «Vida (Sons do Quotidiano)» que apresentava um rock mais sinfónico e com uma estrutura pouco habitual para a época. Mais complexa e trabalhada com base num pequeno resumo de doze minutos daquilo que a vida representa – uma história.

Do berço à campa, Cid usa todo um mundo de efeitos atmosféricos e de sons do quotidiano (como anuncia o título)  que nos encaixam na perfeição naquilo que será um flashback de pequenos momentos – desde a maternidade com o anunciar do nascimento,  ao entusiasmo de crianças a brincarem, quem sabe, no recreio da escola... até ao final trágico de um acidente de viação.

«10.000 anos depois entre Vénus e Marte» leva-nos ainda mais longe. Se seguirmos a sequência de músicas e a aceitarmos como um índice,  será certamente mais fácil entrar nesta viagem.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Slimmy

Não faço as coisas para chocar”
Chama-se “Be someone else” o novo álbum de Slimmy. O músico garante que está mais maduro , mas que persegue com o trabalho a que estamos habituados. “Não faço as coisas para chocar”, avisa em entrevista ao jornal Metro.
Slimmy apareceu há dois anos no panorama musical português ,mas já deixou marcas, não só a nível musical (a sua música chegou a series de televisão como o CSI), mas também pela indumentária. Agora temos  “Be someone else” para continuar a história. 
O álbum “reflecte o amadurecimento, uma maior estabilidade a nível mental. Embora mantenha a minha irreverência”, explicou o músico ao jornal Metro. Slimmy garante, contudo, que o que importa é “fazer músicas que as pesssoas possam cantar e letras que as pessoas possam entender. Não faço as coisas para chocar”, garante.
As músicas reflectem experiências do dia a dia de Slimmy. “Há uma balada , “I can´t live without you in this town”, que é dedicada a uma rapariga do Texas que conheci em 2004,…

Go Graal Blues Band no "Luso Vintage"

Hoje em dia fazer música na língua de Shakespeare é tarefa fácil, mas o mesmo não acontecia em 1975, quando Portugal enquanto democracia acabava de nascer, quando ainda vigoravam valores nacionais como os três grandes F’s (Fado, Fútebol, Fátima).

Texto de Patrícia Rodrigues
Foi neste cenário marcado pelo obscurantismo cultural e desconfiança do estranho que surgiram os “Go Graal Blues Band”. O grupo marcou pela musicalidade contagiante e uma alegria e optimismo próprios da cultura americana, que se definia cada vez mais como um estilo próprio de vida.
E foi assim que, após um nascimento atribulado, um grupo de rapazes na casa dos vinte decidiu reunir-se para tocar e cantar Blues, sendo eles: Paulo Gonzo (voz e harmónica), João Allain (guitarra solo), Raúl Barrigas dos Anjos (bateria), Augusto Mayer (harmónica), António Ferro (baixo), João Esteves (guitarra) e José Carlos Cordeiro (voz principal).
Apesar do curto percurso de oito anos e várias mudanças no seu line-up, a banda…

Freddy Krueger

Pesadelo em Elm Street regressa aos cinemas
Nos anos 80, o imaginário de muitos adolescentes era atormentado por um homem que lhes  aparecia nos sonhos  e se tornava o maior pesadelo mortal de sempre. Chamava-se Freddy Krueger. Em 2010 está de volta para nos tirar o sono. E não é fruto da nossa imaginação.



A personagem criada por Wes Craven (que não aprovou este regresso), volta ao cinema neste remake do primeiro filme da saga, de 1984.  
Mais uma vez a história repete-se. Pesadelo em Elm Street acompanha os adolescentes Nancy, Kris, Quentin, Jesse e Dean, que vivem em Elm Street.
Durante a noite, todos têm tido o mesmo sonho sobre um homem com uma camisola vermelha e verde, um chapéu velho, uma cara desfigurada e uma luva com lâminas. No sonho ouvem uma assustadora voz, que chama por eles.
Depois da morte do primeiro adolescente percebem que o que acontece nestes pesadelos acontece na vida real. Por isso vão fazer todos os esforços para não adormecer e tentar descobrir por que fazem par…