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Som ao Vivo

 Vampire Weekend no Campo Pequeno (10/11/10)


A jovem carreira deste quarteto nova-iorquino é algo invejável para qualquer músico em lançamento. Um álbum de estreia simples,  mas repleto de qualidade  foi aceite de forma unânime. No entanto, os Vampire Weekend sobreviveram com «Contra» à maldição do segundo álbum, e provaram à crítica e ao público (que tanto apostaram neles em 2008) que estavam de facto correctos: são sem dúvida uma das bandas da nova década.
Texto de Tiago Queirós

A arena do Campo Pequeno verificava uma casa simpática (para uma quarta-feira), jovem e ansiosa por matar saudades da sua úlltima visita ao nosso país. É importante relembrar que ainda este Verão a banda encabeçou um dos mais notórios festivais de Verão portugueses (Super Bock Super Rock),marcando uma nova fase para os homens de A-Punk  no nosso país.

Está na moda gostar de Vampire Weekend, e isto prende-se com o simples facto de ser extremamente complicado evitar tal tendência.

O esplendor do pó levantado no Meco foi substituído pelo nível mais intimista de um recinto fechado. A voz  de Ezra Koenig consegue transmitir uma sensação de bem estar total, e a sua persona em palco esbanja simpatia a par do resto da banda.

Na primeira data desta tour europeia, não faltaram os temas chave da sua curta discografia. «Holiday» abriu as hostes mais uma vez em grande nível. Nada como começar com o single mais recente para dar início à festa. Uns batem o pé, outros saltam. A dança é sinónimo de bem estar total.«White Sky» deu seguimento à sequência , relembrando aos mais distraídos que está de facto na hora de adquirir «Contra» e consumi-lo do princípio ao fim.

«Cape Cod Kwassa Kwassa» deu ao público o primeiro grande momento da noite. Um dos  temas que apresentou a banda ao mundo foi usado como um trunfo madrugador.

Como já é tradição, a bandeira nacional foi atirada ao palco e Ezra, sem exitar, envolve-a sobre os seus ombros. Estavamos perante o Super-Homem da noite.

« I Stand Corrected» gera um ambiente de ternura e a carismática «M79» relembra uma certa infantilidade (engane-se quem verifique algo de pejorativo).

«Run» apresenta-se como o momento mais reservado do concerto, apesar de algo fora do contexto. Vampire Weekend provam que mais do que proporcionar simples momentos de diversão , também sabem criar momentos de magia.

O novo single de sucesso «Cousins» , assim como os clássicos da banda «A-Punk» e «One (Blakes Got a New Face)» foram cantados numa só voz , tendo direito a uma sugestão de dança vinda pelos mestres de cerimónia. Momentos que certamente não sairão da cabeça de muitos nos próximos tempos, e eternizados pelas maravilhas da tecnologia moderna,  facilmente alcançáveis à distância de um clique.

A banda não prime pelo espectáculo em si,  esse resume-se ao seguimento de temas, a simpatia do diálogo de ocasião é no entanto mais que suficiente.

Por outro lado, em certos momentos sente-se um certo receio em prolongar os temas. Notório nos cortes abruptos e na sua curta duração, tal e qual como apresentadas nos álbuns. Talvez este seja uma questão a ter em conta no futuro. Fazer render os jokers que guardam na manga.

Para o fim aguardava-nos uma passagem de grande nível entre «Campus» e a mais que óbvia «Oxford Comma». Foi em apoteose total que o público lisboeta  despediu-se da banda que, como manda os bons costumes, voltou para o previsível encore.

«Horchata» puxou pela melancolia de uma recta final. Ouvem-se os primeiros desabafos : «quem me dera puder amanhã ir vê-los ao Porto...».

O concerto não termina sem ser em grande. «Mansard Roof» e «Walcott» funcionaram melhor que pirotecnia perante um público rendido do princípio ao fim.

Setlist:


•    Holiday
•    White Sky
•    Cape Cod Kwassa Kwassa
•    I Stand Corrected
•    M79
•    Bryn
•    California English
•    Cousins
•    Run 
•    A-Punk
•    One (Blake's Got a New Face)
•    The Kids Don't Stand a Chance
•    Diplomat's Son
•    Giving Up The Gun
•    Campus / Oxford Comma 
•   
•    Encore:
•   
•    Horchata
•    Mansard Roof
•    Walcott

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