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Ornatos Violeta no Luso Vintage



Ornatos Violeta. Um nome incontornável da música portuguesa dos anos 90 para muitos jovens na altura. Infelizmente, um grande ponto de interrogação para a maioria das novas gerações. 

Texto de Ana Nelas 

O que tem Manuel Cruz? Um Cão e um Monstro [que] precisa de amigos? Tem isso e muito mais. Tem ou tinha. Creio que continua a ter. Tem também um Peixe que é guitarrista, um teclista chamado Elísio (Donas), um Nuno que é de Prata e é baixista e ainda um baterista com nome de nórdico – Kinörm. Para além de tudo isso… Tem romance. Aliás, é um Capitão do Romance.

Com uma sonoridade que facilmente se atribui “a Ornatos e mais nada”, a música Capitão Romance aborda a temática por uma perspectiva counter-flow. Porque o romance não tem só a ver com dois, tem a ver também com o que um só pode ser. Para poder ser dois, é preciso saber ser sozinho.

É um tema sem grandes complicações, para que possamos apreciar toda a sua profundidade. Recorre a uma sonoridade pouco comum nas bandas da altura, um pouco eclético, um pouco de cidadãos do mundo; relaciona-se facilmente com a música popular de leste, ou mesmo com as raízes portuguesas.

Creio que a Capitão Romance é um dos temas que melhor exprime um dos pontos centrais dos Ornatos Violeta e, consequentemente, de Manuel Cruz. A alma de viajante, de aventureiro, de querer sair do conforto e descobrir sempre mais, sem saber bem o que esperar (metafórica ou fisicamente). É ser arrojado, não ter medo ou tê-lo abertamente. É ser mais, querer mais, ir mais longe.

Com apenas 11 anos de carreira, os Ornatos Violeta despediram-se assim “Até um dia.” Oito anos volvidos, continuamos a esperar ansiosamente por um regresso. 



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