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Money by The Pink Floyd no momento Classic Rock


Numa altura em que a crise é o centro das atenções, o Som à Letra não foge à regra e o Momento Classic Rock repesca do baú o inesquecível som das caixas registadoras em “Money”, dos Pink Floyd. Pensava que este tema era uma homenagem ao dinheiro? Experimente ler um pouco mais, e deixe-se surpreender….

Texto de Maria Coutinho

Na verdade, a letra da música aborda o lado negro do dinheiro - a ganância, a dependência, a injustiça social, o esbanjamento -  e há mesmo uma passagem que afirma “ o dinheiro, costuma dizer-se, é a raiz de todo o mal”. Ironicamente a banda lucrou fortunas com a edição, em 1973, do álbum “The Dark Side Of The Moon”, que tem fama de ser o terceiro mais vendido de sempre na história do rock.

Apesar de toda a banda ter contribuído - com um detalhe aqui, um solo mais além - e de a voz ser a de David Gilmour, Money é, essencialmente, uma obra de Roger Waters. Afinal, foi o baixista quem escreveu a letra e compôs o essencial da música, e nela toca uma das mais belas sequências de baixo que conhecemos.

Também foi Waters quem fez - literalmente - o “corte e costura” da bobine dos efeitos sonoros que torna o tema tão reconhecível a qualquer ouvido: o som da caixa registadora, as moedas a cair, as vozes de fundo… Tudo gravado, cortado e colado à mão por Waters na cabana do seu jardim, num estúdio improvisado; mais difícil ainda, fê-lo numa época em que ainda não havia computadores, samplers e outras tecnologias para ajudar a fazer a magia.

E por falar em magia, há quem defenda que há uma relação entre o álbum “The Dark Side Of The Moon” e o filme “O Feiticeiro de Oz”, que apresentam curiosas coincidências quando iniciados simultaneamente. Entre outros, e a exemplificar, quando Dorothy se aproxima do Homem da Lata para tentar escutar o seu coração, ouve-se, ao mesmo tempo, na música, um coração a bater. No caso de “Money”, ao ouvir-se a caixa registadora no inicio da música, o filme passa de preto e branco para cores, e Dorothy dá o primeiro passo da caminhada na estrada dos tijolos dourados…

Há quem se demore a discutir os aspectos técnicos do tema, a sua métrica rítmica inesperada, a gravação pioneira em 16 pistas nos estúdios da Abbey Road Reccords, pela mão do produtor Allan Parson… Tudo verdade, e de grande valor, mas nós gostamos mesmo é da mensagem, da inovação e da magia, presentes não só neste tema, mas em toda a obra dos mestres do Rock Progressivo dos Anos 70, os incomparáveis Pink Floyd.

Para recordar:

Comentários

Anónimo disse…
Adorei o texto, adorei perceber toda a magia que gira em torno deste tema dos Pink Floyd! Parabéns Maria Coutinho, adorei a sua abordagem e, principalmente a comparação com o filme "O Feiticeiro de Oz", muito perspicaz! Adorei, continue a escrever para nós...
BumpyRider disse…
Tudo verdade sim senhor! Uma grande música dos Pink Floyd e fácilmente reconhecível tanto melódicamente como líricamente. Parabéns pelo texto Maria Coutinho e obrigado por informar-nos a todos sobre os pequenos pormenores à volta desta música! Só não concordo com uma coisa :p e desculpa se estiver a dar a ideia de que estou a ser picuinhas, mas os Pink Floyd nunca foram os mestres do rock progressivo...nem nunca houve nenhuma banda que assim o fosse. Seguramente se formos a analisar do ponto de vista das vendas como grupo de rock, sim têm razão, MAS! Se formos a ver a nível de exploração musical, de quebrar barreiras quanto áquilo que era um dos maiores parâmetros do rock progressivo, ou seja, a experimentação, os tempos complexos usados por variadíssimos grupos, a fusão de estilos musicais, como grupos menos conhecidos fizeram como Gentle Giant, King Crimson, ELP, Yes, Van der Graff Generator entre outros (naturalmente ficaram menos conhecidos por não terem uma abordagem tão simples na composição, e por experimentarem mais, o que no panorama musical que se conhece é um passo errado para quem quer vender um álbum)se observármos através destes pontos vemos que não foram os mestres do rock progressivo. Foram e são uma banda espectacular de quem eu sou fã, e Dark Side of The Moon, é dos melhores álbuns que se pode ouvir, mas no que toca ao que eles faziam...ou seja...rock progressivo, os melhores álbuns deles serão definitivamente Atom Heart Mother,Wish You Were Here, Meddle e Animals. Se quiserem saber bons exemplos da exploração atingida por algumas bandas dos anos 70 sugiro Octopus dos Gentle Giant, Pawns Hearts dos Van der Graaf Generator e Lark's Tongues in Aspic e outro álbum de nome Red dos King Crimson. :)

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