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Momento Classic Rock


Uma eterna viagem pelo “Dark Side of the moon” 


Foi numa viagem de comboio na Holanda que o álbum “Dark side of the moon” dos Pink Floyd me atingiu. A viagem em si foi mais longa do que a duração deste mítico registo discográfico (42 minutos), mas foi naquele momento que este trabalho começou a fazer sentido para mim. Porquê? 

Texto de Miguel Ribeiro

Não porque fosse complicado (não o é) e não porque tivesse alguma coisa contra a música desta banda britânica (já tive), mas foi um aglomerado de aspectos que o tornaram num álbum de eleição para esta humilde pessoa. O que foi? Mesmo eu não consigo explicar.

Talvez...” fosse a junção da paisagem que observava enquanto olhava pela janela do comboio (plana, verde) em conjunto com o céu cinzento tão típico daquele país, o que, admito, até ajuda ao ambiente criado por este álbum conceptual, concebido no já longínquo ano de 1973. 

“Talvez...”, “...sendo de natureza conceptual, foi com este tipo de sentimento com que eles composeram o álbum?”. 

“Não!” respondo. Afinal de contas, este foi um trabalho construído ao longo do tempo. Os Pink Floyd já tinham escrito e tocado ao vivo partes de algumas das músicas que fizeram o seu “debut” com este registo discográfico. “...não penses mais sobre isso...apenas ouve a música.”. Ok, eu faço isso, mas é impossível simplesmente ouvir a música e apreciá-la não é? E as pessoas que não percebem as letras? E as que não percebem sequer inglês? …

Brincadeiras e questões à parte, a verdade é que para milhões este é um álbum de eleição.
Os Pink Floyd, uma banda cujo som no ínicio de carreira roçava o psicadélico/espacial e o R&B que as “bandas de garagem” costumavam fazer na altura, com Dark Side Of The Moon deram um salto de gigante, nunca até à altura atingido por uma banda pertencente ao, hoje em dia denominado, Rock Progressivo. 

As origens e o contexto da obra-prima 

O álbum começou numa reunião onde o grupo discutia que precisava de novo material para apresentar ao vivo. Waters teve a ideia de escrever um álbum conceptual que lidasse com o que “fizesse as pessoas se sentirem revoltadas”. Ora em 1972 estamos num ano em que na Inglaterra, a confiança dos jovens se estatelava no chão, com o quebrar dos sonhos de construir um novo mundo ,  provenientes da cultura hippie , que ia desaparecendo.  

No entanto, a cultura dos “ácidos” permanecia viva, a guerra do vietname continuava sem fim à vista, assim como a Guerra Fria, inflação, desemprego, violência racial, ou seja, um contexto conturbado que influenciou as ideias transparentes neste álbum. 

Para o sucesso desta “masterperciece” contribuiu a produção levada a cabo por Alan Parson e as linhas melódicas simples, suportadas pelos blues característicos do grupo. Não esquecer o excelente trabalho de design com a capa, concebida pelos Hipgnosis (grupo britânico de design artístico que se especializou em desenhar e criar capas de álbuns para as bandas de rock da altura) percebe-se assim, o porquê de este trabalho ter atraído tantas pessoas. 

Há quem diga que também está ligado a Dark Side Of The Moon um poderoso símbolo, que marca a própria época que se vivia. A sua influência musical no rock é enorme, sendo dos álbuns mais citados como influência por parte de jovens músicos, sendo também visto como presença obrigatória nas prateleiras de audiófilos.

Enquanto escuto o álbum, percebo o poder que a música dos Pink Floyd deu aos ouvintes. Não digo que já percebi o porquê de este álbum me ter despertado o interesse, mas sei que ainda me vou divertir imenso a descobrir o porquê através da viagem que é este Dark Side Of The Moon, e se não descobrir...valerá sempre a pena entrar neste profundo percurso mental. Mais um bilhete para a Holanda?

Para recordar:  

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