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Luso Vintage

Mão Morta: de Budapeste sempre a rock & rollar


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Corria o ano de 1984 quando Joaquim Pinto, Miguel Pedro e Adolfo Luxúria Canibal fundam os Mão Morta. Existe uma estória, chamemos-lhe o “mito fundador” da banda, daquelas narrativas algo nebulosas nas quais dificilmente se destrinça a verdade da mentira...



Texto de Susana Terra

Diz-se que Joaquim Pinto se encontrou com o baixista dos norte-americanos “Swans” em Berlim e este terá comentado o facto de Pinto ter cara de baixista. Pouco tempo depois Pinto compra um baixo e surgem os Mão Morta, em Braga, a cidade nortenha altamente religiosa, conservadora, fechada hermeticamente sobre tradicionalismos , mas com grande vigor e experimentação artística em 1980’s.
Já no início dos anos 80 Adolfo Luxúria Canibal integrava o circuito artístico bracarense, nomeadamente numa multiplicidade e diversidade de formas de expressão artística – do som dos berbequins e teares aos ruídos de comboios, da dança ao teatro e à mímica. Salientam-se neste período os projectos AuAuFeioMau e PVT Industrial.
"Uma garganta funda que liberta bílis às golfadas"
Em 1985 dá-se a tão ansiada estreia dos Mão Morta nos palcos portugueses e é iniciada a sua ascensão meteórica na cena musical em língua de Camões. Apesar de apenas terem ganho um prémio de originalidade no III Concurso de Música Moderna do Rock Rendez Vous no ano seguinte, em 1986, o grupo já contava com uma sólida base de apoio e um crescente culto em seu torno.
A performance e o carisma de Adolfo Luxúria Canibal em muito catapultaram os Mão Morta para o estrelato no meio underground. Cito as palavras de António Pires, em relação a Adolfo Luxúria Canibal, na 110ª edição do Blitz – “Uma garganta funda que liberta bílis às golfadas, que espanca os espectadores com as palavras, que os excita e irrita, que conta histórias de sexo, de crime e de repressão”.

A partir de 1987 a banda começa a gravar – nesse mesmo ano sai a saudosa K7 “Mão Morta” e em 1993 irá editar “Mutantes S.21”, álbum de retratos de viagens por várias cidades no qual encontramos Budapeste, que Carlos Fortes num concerto apelidou de música para atrasados mentais…
Budapeste catapultou os Mão Morta para outro patamar de sucesso, teve um longo airplay na rádio e o videoclip era o mais pedido num programa de televisão de então. Contudo, a banda nunca se identificou muito neste êxito estrondoso e a fórmula não foi mais repetida.

Mais do que uma simples banda, os Mão Morta abriram portas a um novo conceito no mundo das artes interpretativas, de “Müller no Hotel Hessischer Hof” a “Maldoror”, a palavra de ordem é a reinvenção e a integração de diferentes vertentes artísticas (teatro, multimédia, literatura, etc.) ,em enriquecedor convívio com a construção de temas musicais


Apesar de tudo, Budapeste é um hino para uma geração que teve nos Mão Morta os porta-vozes da revolta, da não-aceitação de uma falsa moral vigente, do eco das dores de crescimento e das noites frias. Quem não se recorda... “Cá vou eu no meu Traby / De bar em bar a aviar / Sempre a abrir a noite toda / Sempre a rock & rollar”.

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