Avançar para o conteúdo principal

Gogol Bordello na "Dança do Som"


“American Wedding” ou como uma fanfarra faz uma grande farra, dando mote ao lema “think locally, fuck globally”.Gogol Bordello é sinónimo de festa rija, bebida a rodos e alguma loucura à mistura.

Texto de Susana Terra

Consta que os elementos fundadores do grupo se conheceram em 1998, num casamento russo, nos EUA… poderíamos dizer que este contexto muito diz sobre o rumo que tal encontro teve.

Das mais variadas pertenças étnicas (Ucrânia, Israel, Roménia, Escócia, Etiópia, Tailândia, Rússia, China, Equador, etc.) os Gogol Bordello trazem-nos uma profusão de sonoridades directamente proporcional ao mellting pot dos seus membros.

O nome da banda não foi escolhido ao acaso. Eugene Hütz, vocalista, guitarrista (enquanto não destrói o instrumento nos múltiplos arremessos praticados em palco), incansável animador da farra e activista pelos direitos da comunidade romani, inspira-se num conhecido escritor da sua terra natal, Ucrânia - Nikolai Gogol.

Até ao momento, os Gogol Bordello lançaram cinco álbuns de originais – Voi-La Intruder (1999); Multi Kontra Culti vs Irony (2002); Gipsy Punks: Underdog World Strike (2005), sendo este o disco que os catapultou para o sucesso mundial com hinos como Start Wearing Purple, Not a Crime; Super Taranta! (2007), no qual podemos escutar American Wedding; Trans-Continental Hustle (2010).

A miscelânea fanfarrática de sons do grupo apenas encontra eco em grupos como Manu Negra, Fanfarra Ciocarlia, Kusturica and the Non-Smoking Band, apostando numa fusão de estilos transglobais – do folk eslavo ao punk, do flamenco ao dub, tudo bem regado com intermináveis doses de contagiante energia. Segundo a crítica, o rótulo onde a sonoridade da banda encaixa é o gipsy punk, uma categoria que de alguma forma se aproxima da essência da música , embora o leque de influências seja tão diverso que os Gogol Bordello escapam naturalmente a qualquer rebuscado exercício de taxinomia.

Em palco, a festa está garantida. Eugene bebe garrafas de vinho (a maior parte é derramado sobre si próprio e sobre a sedenta audiência), há bombos e gritos, danças diabolicamente estonteantes, delírios quase xamânicos, instrumentos partidos, muitas nódoas negras e inclusive fogo de artifício (aconteceu no castelo de Sines, no Festival Músicas do Mundo, em 2007). Os locais dos concertos são os mais improváveis – para além dos circuitos normais (salas de espectáculos e festivais) qualquer local serve para a farra, até mesmo o Kremlin em Moscovo (!).

Mais do que uma banda, os Gogol Bordello são um movimento global e artístico  que culmina em performances nada convencionais e que nos demonstra que as diferenças culturais e o mosaico étnico quando combinados produzem esta mistura explosiva (no bom sentido, diga-se), que o mundo ao invés de uniformizar e estandardizar em torno da ocultação e negação da diversidade,  ganha mais em conservar, promover e recriar a multiplicidade cultural que tanta cor (e festa) traz às nossas vidas.

A não perder esta bela farra, dia 24 no Campo Pequeno, em Lisboa.

Até lá... 





Comentários

Mensagens populares deste blogue

Slimmy

Não faço as coisas para chocar”
Chama-se “Be someone else” o novo álbum de Slimmy. O músico garante que está mais maduro , mas que persegue com o trabalho a que estamos habituados. “Não faço as coisas para chocar”, avisa em entrevista ao jornal Metro.
Slimmy apareceu há dois anos no panorama musical português ,mas já deixou marcas, não só a nível musical (a sua música chegou a series de televisão como o CSI), mas também pela indumentária. Agora temos  “Be someone else” para continuar a história. 
O álbum “reflecte o amadurecimento, uma maior estabilidade a nível mental. Embora mantenha a minha irreverência”, explicou o músico ao jornal Metro. Slimmy garante, contudo, que o que importa é “fazer músicas que as pesssoas possam cantar e letras que as pessoas possam entender. Não faço as coisas para chocar”, garante.
As músicas reflectem experiências do dia a dia de Slimmy. “Há uma balada , “I can´t live without you in this town”, que é dedicada a uma rapariga do Texas que conheci em 2004,…

Go Graal Blues Band no "Luso Vintage"

Hoje em dia fazer música na língua de Shakespeare é tarefa fácil, mas o mesmo não acontecia em 1975, quando Portugal enquanto democracia acabava de nascer, quando ainda vigoravam valores nacionais como os três grandes F’s (Fado, Fútebol, Fátima).

Texto de Patrícia Rodrigues
Foi neste cenário marcado pelo obscurantismo cultural e desconfiança do estranho que surgiram os “Go Graal Blues Band”. O grupo marcou pela musicalidade contagiante e uma alegria e optimismo próprios da cultura americana, que se definia cada vez mais como um estilo próprio de vida.
E foi assim que, após um nascimento atribulado, um grupo de rapazes na casa dos vinte decidiu reunir-se para tocar e cantar Blues, sendo eles: Paulo Gonzo (voz e harmónica), João Allain (guitarra solo), Raúl Barrigas dos Anjos (bateria), Augusto Mayer (harmónica), António Ferro (baixo), João Esteves (guitarra) e José Carlos Cordeiro (voz principal).
Apesar do curto percurso de oito anos e várias mudanças no seu line-up, a banda…

Freddy Krueger

Pesadelo em Elm Street regressa aos cinemas
Nos anos 80, o imaginário de muitos adolescentes era atormentado por um homem que lhes  aparecia nos sonhos  e se tornava o maior pesadelo mortal de sempre. Chamava-se Freddy Krueger. Em 2010 está de volta para nos tirar o sono. E não é fruto da nossa imaginação.



A personagem criada por Wes Craven (que não aprovou este regresso), volta ao cinema neste remake do primeiro filme da saga, de 1984.  
Mais uma vez a história repete-se. Pesadelo em Elm Street acompanha os adolescentes Nancy, Kris, Quentin, Jesse e Dean, que vivem em Elm Street.
Durante a noite, todos têm tido o mesmo sonho sobre um homem com uma camisola vermelha e verde, um chapéu velho, uma cara desfigurada e uma luva com lâminas. No sonho ouvem uma assustadora voz, que chama por eles.
Depois da morte do primeiro adolescente percebem que o que acontece nestes pesadelos acontece na vida real. Por isso vão fazer todos os esforços para não adormecer e tentar descobrir por que fazem par…