Avançar para o conteúdo principal

Crítica

Movimento Alternativo Rock 



 img in:movimentoalternativorock.com
 
O Mar representa o orgulho de ser português. Dele se retiram algumas das nossas maiores conquistas, grande parte da nossa história e, na sua essência, o espírito lusítano. A cultura que outrora conquistou de forma apaixonada o mundo, é hoje estigmatizada pelo imperialismo de outras. É com este trocadilho, que o MAR ( Movimento Alternativo Rock), se apresenta ao mundo. Com (e só com) a lingua de Camões na voz ,  o MAR renuncia qualquer agência, promotora ou editora , sendo apenas um movimento...


Texto de Tiago Queirós

O Movimento Alternativo Rock é toda uma prova de nacionalismo cultural. Em prol da língua portuguesa e da liberdade criativa do músico português que dê preferência, lá está, à sua língua.

Longe vão os tempos onde ser diferente seria cantar em inglês, e para lá caminha a ideia de que o sucesso e a qualidade prendem-se com a língua da terra de Sua Majestade... God Save the Queen, mas certamente que o futuro não ditará o mesmo.

No seu site encontra-se à disposição de forma gratuíta todo um leque de  novos artistas portugueses que primem por uma certa originalidade face à música nacional (em português) mainstream , que sofre em demasia pela necessidade de responder a certos moldes editoriais. Quer ao nível de produção, quer ao nível de conteúdos. O MAR renuncia a todas essas questões e apela simplesmente a um ponto de encontro entre quem procura algo de novo em português e quem o disponibiliza.

Na sua compilação «Colectânea Subcutânea» temos bem presente um revivalismo do Rock ao estilo Garage, simples e sem espinhas, assim como podemos assistir a momentos mais experimentais e até mesmo mais populares. Tudo em português. Com todos os horizontes  sem fronteiras do mundo indie. Fixem alguns destes nomes, certamente ainda vão ouvir falar deles.

Para já , temos nove bandas como alternativas à música portuguesa corriqueira do dia-a-dia. Se ainda é  si  próprio o que se faz no mundo do Rock Alternativo português.

No baixo sedutor dos BAR relembramos uns Clã de outros tempos, aplicando aquela satisfação de ouvir a voz da Manuela Azevedo somando uma dose açucarada na voz que escutamos. Os riffs orelhudos dos Nervo levam-nos a bater o pé e verificar um certo air-guitar espontâneo. Rock descomprometido que de certa forma relembra uma sonoridade Hard Rock ao género de Queens of the Stone Age.

Alucina, dando seguimento, são de facto alucinantes no seu ritmo bem «apunkalhado». Cheios de garra demonstram em «Lugar no Mundo», um dos picos enérgicos desta colectânea, mas «Cacos de Identidade» soa inicialmente a «Everlong» (Foo Fighters) , tornando-se num bom momento de pop-rock desmedido.

Pela mão do projecto Maçã de Prata, assistimos a uma sonoridade mais virada para um world music, com alguma preocupação em manter a magia e eficácia das suas composições na simplicidade em que as apresentam. Uma quebra o ritmo no álbum , mas sem fugir ao propósito do mesmo. Destaque para «A espia, a outra e a estranha» que mistura ritmos mais apontados para tempos de blues e de jazz dando reviravoltas de rock ao mais alto quilate.

Os BláBláBlá obrigam-nos a cair na espiral do Slide Guitar num dos melhores temas da compilação, «(Más)caras de Carne» que assim soma ao apelo de uma evolução do rock alternativo português.

Por fim, que o Amor Lança Farpas já todos sabemos, mas os ALF encaixam nesta compilação com um grande trunfo: a capacidade de  transmitir uma certa atmosfera ao nível instrumental. Dando toda uma nova envolvência nos temas , que não se capta no rock mais cru dos exemplos anteriormente verificados.

A conclusão é mais do que óbvia: a música portuguesa, com especial foco no Rock Alternativo, demonstra-se ao nível do que melhor se faz no resto do mundo. E engane-se quem ponha em causa a produção destas bandas ,que não se revelam de todo amadoras.

Sem dúvida um álbum a adquirir por todos aqueles que desejam estar na linha da frente do que se passa no mundo da música portuguesa.

A ouvir : 


http://movimentoalternativorock.blogspot.com/2010/09/colectanea-subcutanea-2o.html

Uma banda abraçada pelo MAR (e pelo Som à Letra)




Comentários

Mensagens populares deste blogue

Slimmy

Não faço as coisas para chocar”
Chama-se “Be someone else” o novo álbum de Slimmy. O músico garante que está mais maduro , mas que persegue com o trabalho a que estamos habituados. “Não faço as coisas para chocar”, avisa em entrevista ao jornal Metro.
Slimmy apareceu há dois anos no panorama musical português ,mas já deixou marcas, não só a nível musical (a sua música chegou a series de televisão como o CSI), mas também pela indumentária. Agora temos  “Be someone else” para continuar a história. 
O álbum “reflecte o amadurecimento, uma maior estabilidade a nível mental. Embora mantenha a minha irreverência”, explicou o músico ao jornal Metro. Slimmy garante, contudo, que o que importa é “fazer músicas que as pesssoas possam cantar e letras que as pessoas possam entender. Não faço as coisas para chocar”, garante.
As músicas reflectem experiências do dia a dia de Slimmy. “Há uma balada , “I can´t live without you in this town”, que é dedicada a uma rapariga do Texas que conheci em 2004,…

Go Graal Blues Band no "Luso Vintage"

Hoje em dia fazer música na língua de Shakespeare é tarefa fácil, mas o mesmo não acontecia em 1975, quando Portugal enquanto democracia acabava de nascer, quando ainda vigoravam valores nacionais como os três grandes F’s (Fado, Fútebol, Fátima).

Texto de Patrícia Rodrigues
Foi neste cenário marcado pelo obscurantismo cultural e desconfiança do estranho que surgiram os “Go Graal Blues Band”. O grupo marcou pela musicalidade contagiante e uma alegria e optimismo próprios da cultura americana, que se definia cada vez mais como um estilo próprio de vida.
E foi assim que, após um nascimento atribulado, um grupo de rapazes na casa dos vinte decidiu reunir-se para tocar e cantar Blues, sendo eles: Paulo Gonzo (voz e harmónica), João Allain (guitarra solo), Raúl Barrigas dos Anjos (bateria), Augusto Mayer (harmónica), António Ferro (baixo), João Esteves (guitarra) e José Carlos Cordeiro (voz principal).
Apesar do curto percurso de oito anos e várias mudanças no seu line-up, a banda…

Temos uma nova casa...Visitem-nos!

São quase 8 anos desta vida sonora. E ainda bem.
Em honra ao primeiro nome deste media, o eterno Som à Letra, criarei uma rubrica, na Scratch Magazine.

Por enquanto estamos a reunir arquivo mas contamos convosco. No âmbito da tese de mestrado vão ser analisados os anos I e II da publicação , que podem ser encontrados neste blogue e em cibersomaletra.blogspot.pt.

Para continuar a seguir a nossa "história" basta seguir o seguinte link:

scratchmag.org