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O DINHEIRO QUE CHEIRAVA A FLÚOR


 Capa do LP "Regresso às Origens" dos Ananga Ranga (1979)


Os Ananga-Ranga foram um dos grupos mais importantes do Rock português da década de 1970.
Gravaram dois singles e dois álbuns e percorreram o país em concertos, que aconteciam, normalmente, nas Festas de Finalistas dos Liceus.
Para além disso, a banda actuava para as comunidades de emigrantes nos Estados Unidos.
Em Portugal, no final da década de 1970, existia uma limitação ao transporte de quantias individuais de dinheiro estrangeiro, nomeadamente dólares, (para cima do equivalente a 100 euros, actualmente) para o estrangeiro.
Os instrumentos musicais em Portugal eram considerados como artigos de luxo, sendo taxados com impostos bastante altos, pelo que se os músicos conseguissem adquirir os instrumentos no estrangeiro poupariam bastante dinheiro.
Os Ananga-Ranga aproveitavam, portanto, as deslocações aos Estados Unidos para adquirirem material (guitarras e amplificadores, nomeadamente) muito mais barato.
Como é que eles fugiam à tal proibição de levar divisas para o estrangeiro?
Segundo conta Manuel Barreto (o teclista da banda) o dinheiro era transportado nas pastas de dentes e tinha de ir “enroladinho”. Chegados ao destino, havia um estendal de notas a secar, porque era necessário lavá-las! Tresandavam a flúor!   A cara dos empregados das lojas a contarem o dinheirinho com cheiro a flúor era de espanto!
O que é certo é que lá conseguiram concretizar o sonho de terem o amplificador tal ou a guitarra com que sonhavam, por um preço razoável.
Também fizeram ida e volta a Londres numa carrinha Mercedes, que não andava a mais de 50 km à hora, para trazer um PA que não tinha mais de 2000 Watts, mas era o possível.

João Aristides Duarte

Para recordar: 

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