Avançar para o conteúdo principal

24 Hour Party People (Filme)


Tony Wilson é um jornalista frustrado da Granada TV, cansado de fazer programas que cheiram a mofo. Entrevistar um guarda-canais ou um dono de um rebanho de ovelhas guardado por um pato, não são o tipo de trabalho que o realizem. 

Mas Wilson quer fazer algo de importante que possa contar aos netos: funda uma editora, a Factory Records e abre dois espaços: um clube nocturno onde actuam as bandas da sua editora e mais tarde a Hacienda, discoteca famosa e centro da noite de Manchester.

24 Hour Party People retrata o panorama musical desde os primórdios do Punk, em meados dos anos 70, passando pelo fenómeno de “Madchester“ em finais de 80, até ao surgimento da cultura “Rave“.

Quando Tony Wilson assiste em 76 ao primeiro concerto dos Sex Pistols, apercebe-se que está na vanguarda das tendências musicais. São poucos a assistir ao concerto… mas bons! O espírito deste concerto não poderia captar melhor a atmosfera urbano-depressiva causada pela recessão económica e social da Inglaterra de finais de 70. A primeira banda Punk cantava o que o poder instituído não queria ouvir: “Deus salve a rainha… Ela não é um ser humano… Não há futuro… Nos sonhos da Inglaterra“.

De facto os anos 70 não estavam fáceis para os novos nomes da música, com as grandes editoras a ditarem as regras do jogo. As coisas passavam-se mais ou menos assim: existia um número considerável de artistas conhecidos e consagrados que rendiam muito dinheiro às editoras, os denominados “supergrupos“. Apenas estes tinham acesso aos melhores meios com produções e espectáculos megalómanos. Com os “supergrupos“ a sustentarem os lucros das editoras, apostar em bandas desconhecidas era um risco que ninguém estava disposto a correr.

A Factory Records acolheu estas bandas que de outra forma jamais teriam direito a tempo de antena, estamos a falar de nomes como Joy Division, New Order e Happy Mondays, Clash, Buzzcocks, entre outros. A editora concedeu total liberdade criativa aos seus músicos, inclusive o direito de poderem abandoná-la quando entendessem. As regras eram tudo menos convencionais e os contratos redigidos e assinados com sangue.

A Factory Records foi, talvez, a principal responsável pela generalização do conceito “independente“, tornando-se numa espécie de albergue para os novos talentos de então, ainda hoje fonte de inspiração para toda uma nova geração emergente de nomes como Franz Ferdinand, The Strokes, The Libertines, Editors, Arcade Fire ou Interpol. Devido a dificuldades financeiras a Factory Records seria mais tarde adquirida pela London Records.

Relaizado em 2002 por Michael Winterbottom e interpretado por Steve Coogan (no papel de Tony Wilson), este filme/documentário autobiográfico faz-se acompanhar ainda de uma excelente banda sonora, essencial a todos os interessados em conhecer os primeiros nomes do som alternativo.

Bruno Vieira 

Confira  o trailer do filme:


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Slimmy

Não faço as coisas para chocar”
Chama-se “Be someone else” o novo álbum de Slimmy. O músico garante que está mais maduro , mas que persegue com o trabalho a que estamos habituados. “Não faço as coisas para chocar”, avisa em entrevista ao jornal Metro.
Slimmy apareceu há dois anos no panorama musical português ,mas já deixou marcas, não só a nível musical (a sua música chegou a series de televisão como o CSI), mas também pela indumentária. Agora temos  “Be someone else” para continuar a história. 
O álbum “reflecte o amadurecimento, uma maior estabilidade a nível mental. Embora mantenha a minha irreverência”, explicou o músico ao jornal Metro. Slimmy garante, contudo, que o que importa é “fazer músicas que as pesssoas possam cantar e letras que as pessoas possam entender. Não faço as coisas para chocar”, garante.
As músicas reflectem experiências do dia a dia de Slimmy. “Há uma balada , “I can´t live without you in this town”, que é dedicada a uma rapariga do Texas que conheci em 2004,…

Go Graal Blues Band no "Luso Vintage"

Hoje em dia fazer música na língua de Shakespeare é tarefa fácil, mas o mesmo não acontecia em 1975, quando Portugal enquanto democracia acabava de nascer, quando ainda vigoravam valores nacionais como os três grandes F’s (Fado, Fútebol, Fátima).

Texto de Patrícia Rodrigues
Foi neste cenário marcado pelo obscurantismo cultural e desconfiança do estranho que surgiram os “Go Graal Blues Band”. O grupo marcou pela musicalidade contagiante e uma alegria e optimismo próprios da cultura americana, que se definia cada vez mais como um estilo próprio de vida.
E foi assim que, após um nascimento atribulado, um grupo de rapazes na casa dos vinte decidiu reunir-se para tocar e cantar Blues, sendo eles: Paulo Gonzo (voz e harmónica), João Allain (guitarra solo), Raúl Barrigas dos Anjos (bateria), Augusto Mayer (harmónica), António Ferro (baixo), João Esteves (guitarra) e José Carlos Cordeiro (voz principal).
Apesar do curto percurso de oito anos e várias mudanças no seu line-up, a banda…

Freddy Krueger

Pesadelo em Elm Street regressa aos cinemas
Nos anos 80, o imaginário de muitos adolescentes era atormentado por um homem que lhes  aparecia nos sonhos  e se tornava o maior pesadelo mortal de sempre. Chamava-se Freddy Krueger. Em 2010 está de volta para nos tirar o sono. E não é fruto da nossa imaginação.



A personagem criada por Wes Craven (que não aprovou este regresso), volta ao cinema neste remake do primeiro filme da saga, de 1984.  
Mais uma vez a história repete-se. Pesadelo em Elm Street acompanha os adolescentes Nancy, Kris, Quentin, Jesse e Dean, que vivem em Elm Street.
Durante a noite, todos têm tido o mesmo sonho sobre um homem com uma camisola vermelha e verde, um chapéu velho, uma cara desfigurada e uma luva com lâminas. No sonho ouvem uma assustadora voz, que chama por eles.
Depois da morte do primeiro adolescente percebem que o que acontece nestes pesadelos acontece na vida real. Por isso vão fazer todos os esforços para não adormecer e tentar descobrir por que fazem par…